Por T

Neste post gostaria de discorrer sobre o meu apreço ao Old Dragon e ao movimento Old School, sendo que, mesmo depois de um tempo jogando a terceira edição do D&D, assim como o Pathfinder, resolvi utilizar de vez o Old Dragon e as idéias do movimento Old school nas minhas sessões de jogo. Digamos que, aqui vou tentar discorrer sobre os motivos que culminaram no apego (não saudosismo) às edições anciãs do D&D, ao movimento old school, e por fim, ao Old Dragon.

Na semana que passou, surgiu uma polêmica em torno do Old Dragon a partir de uma resenha que foi feita do jogo. Na resenha em si, o autor afirma que o jogo é desnecessário, saudosista, entre outras coisas, servindo somente para aqueles que não tiveram acesso a edições anteriores do D&D (seja AD&D, D&D 3.0/3.5, Pathfinder e afins), ou que quisessem matar a saudade dos tempos de jogo anteriores a 3ª edição do D&D, por muitos considerada como a era de ouro do sistema, logo, saudosismo puro. Em outras palavras, joga-se Old Dragon porque se sente saudades dum outro tempo, do momento em que o RPG era old school, com todas as suas qualidades e defeitos.

Vejam só, para meu completo espanto, eu, que comecei a jogar D&D na terceira edição, passando inclusive pelo Pathfinder, que admiro até hoje, gosto bastante de Old Dragon e do movimento old school, tanto do Brasil, quanto norte-americano. Discordo completamente quando o autor diz que o Old Dragon serve para quem é saudosista: sou completamente o oposto, nunca joguei AD&D na vida, nem as edições mais antigas do D&D, tanto o Old Dragon quanto o movimento old school são coisas novas para mim. Não é por saudade que aprecio os trinta anos de conteúdo do D&D/AD&D/whatever, é pela qualidade dos livros, pela proposta de jogo que estes trazem consigo. Tenho livros da 3ª edição, do Pathfinder e do AD&D em casa, mas nada disso me impede de ter e jogar o velho dragão, ou qualquer outro jogo.

Gosto da proposta old school, da intenção de incentivar o jogador a usar a sua criatividade e discernimento para resolver os problemas que o jogo traz, sem precisar recorrer a talentos, vantagens ou desvantagens que o personagem possa ter registrado na sua ficha. O jogo old school prima pela exploração, investigação, tentativa e erro, sorte e azar, caos muito além da ordem. O combate existe, mas se você acha que pode entrar numa dungeon e zerar ela, assim, num iscar de olhos, vai se dar mal. Não dá pra se meter em tudo que envolve porrada, tem que saber quando evitar o combate, quando fugir, quando se esconder. Claro que você pode promover esse estilo de jogo no Pathfinder, por exemplo, utilizando algumas muitas modificações. Já o Old Dragon (e outros jogos da linha OSR, a famosa renascença old school) propicia ao mestre um maior poder de decisão sobre o jogo, com maior capacidade de mudanças e ajustes, que de certa são incentivados por um sistema mais aberto, com poucas regras e maior espaço para criação, mais espaço para o caos de idéias e modificações do mestre e também dos jogadores.

Certo, mas nada disso impede que eu jogue 4E ou Pathfinder. A proposta de cada jogo é diferente, mas não desnecessária ou mais ou menos inovadora. Eu optei pelo dragão velho misturado com AD&D e algumas coisas do Pathfinder, só que isso não me dá o direito de desmerecer outros jogos, simplesmente por serem diferentes daquilo que me atrai. Não sou o detentor de verdade nenhuma, somente da certeza em relação ao sistema que me diverte mais, que permite maiores modificações.

Abraços a todos os fiéis 1d3 leitores e até o próximo post.