E se houvesse uma maneira para deixar a criação do seu personagem mais objetiva e alinhada com as intenções da aventura que você está prestes a jogar? Neste post, pretendo compartilhar com vocês algumas dicas concretas que deixem bem claro quais são os objetivos e motivações da personagem que você irá construir para seu jogo de RPG, de modo a torná-la eficiente e relevante para a história que está sendo construída.

Olá a todos!

Meu nome é Thiago, e partir dessa semana, nas quintas, irei compartilhar com vocês muito do que eu aprendi jogando, mestrando e lendo sobres os nossos queridos RPGs de Mesa, seja sobre cenários diferentes, sistemas inusitados, modos de jogar, dicas para mestres e jogadores, ou seja, tudo que puder de fato auxiliá-los a desenvolver uma boa aventura de jogo, com dicas concretas para a sua mesa. Nós, do Grupo Kalabouço, temos por objetivo produzir todo tipo de material que possa ampliar e enriquecer a experiência de jogos de vocês, caros leitores. E é sob essa perspectiva que inicio o post de hoje.

O processo de criação de personagem é um dos momentos mais interessantes num jogo, pois é aqui que o grupo irá determinar quais serão os participantes da narrativa, seus interesses, habilidades e motivações. No entanto, é possível que os jogadores se sintam perdidos durante esse processo, justamente por não saber exatamente que tipo de personagem pretendem construir. Por isso, acredito que algumas dessas decisões e escolhas devem ser feitas de modo a obter o melhor aproveitamento possível dentre tantas opções, para o jogo que será construído.

Quando você for criar uma personagem para o jogo, comece por um conceito daquilo que você gostaria de jogar. Tente resumir isso numa frase. Por exemplo, quero jogar com um arcanista, um usuário de magia, alguém manipule as forças sobrenaturais do cenário escolhido. O que o torna diferente de todos os outros Arcanistas e/ou Usuários de magia no mundo? Quem sabe uma cicatriz…… Ótimo, mas de onde ela veio? Digamos que num acidente na torre de pesquisa do seu mentor, após você ter errado a dose correta para a confecção de determinado composto mágico…… O que aconteceu? Uma imensa explosão destruiu o lugar, e por algum motivo desconhecido, somente você sobreviveu. Pronto, temos um conceito inicial, uma explicação para ele que poderíamos resumir na seguinte frase: ” Sou um Mago destemido, com uma horrenda cicatriz (queimadura no corpo) fruto de um acidente mágico”.

Agora precisamos criar uma motivação para a personagem, ou algo que ele deseja encontrar nas suas aventuras, um problema que ajude tanto você, quanto a personagem e o mestre a criarem uma narrativa que vá impulsionar o jogo que todos estão construindo. De repente, seu personagem procura um jeito de se redimir do seu próprio erro e portanto precisa aprender mais sobre sua magia e o conhecimento que tem para encontrar uma forma de recompensar todos que sofreram pelo seu erro. Mas para continuar financiando suas pesquisas e aprendizado, vai precisar de dinheiro! 

Temos uma motivação e algo que vai dar propósito à personagem.

Voltemos à nossa frase inicial: “Sou um destemido Mago com uma horrenda cicatriz no corpo, que procura se redimir do acidente que causou, pesquisando mais sobre seu conhecimento mágico, para evitar erros no futuro. Para isso, viaja com frequência com diversos grupos de aventureiros e mercenários, para que possa angariar fundos para bancar meus estudos na Arte Arcana”. Pronto. Temos uma história de origem pronta, com uma personagem crível, bastando continuar com a construção da ficha para dar os contornos finais necessários. 

Assim, o/a mestre(a) de jogo terá material e ganchos interessantes para trabalhar quando for preparar suas aventuras. Dependendo, um dos antagonistas do grupo, pode ser um parente (quem sabe um filho) do mentor do Mago que causou esse terrível acidente, e quer se vingar pela morte de seu ente querido. Vejam só, temos não somente um personagem com conceito e motivação bem definidos, como também muitos ganchos para diversas aventuras.

Espero que essas dicas possam ajudá-los na preparação dos seus jogos. Lembre-se sempre de prestar atenção aos detalhes das origens e motivações dos jogadores, para que as aventuras tenham eles como seus elementos centrais. Da mesma forma, os/as jogadores(as), ao construírem suas personagens, procurem oferecer “problemas” para o mestre, de modo a criarem juntos histórias que sejam de interesse do grupo, e que tenham um apelo, uma motivação clara para serem desenvolvidas.

Obrigado pela atenção de todos e até o próximo post.


Thiago